Relacionamentos
Dependentes
Revista Bianchini
Revista Bianchini
"Por que não
consigo viver sem
este
relacionamento?
Não o amo mais
e até sinto alívio quando
imagino ter
liberdade. Mas não me
vejo em outro relacionamento porque sinto
medo.... sinto que não vou
conseguir... Por que não
consigo viver sem ele?"
Não é
difícil encontrarmos pessoas que estão num relacionamento que não as satisfaz em
vários níveis. Sejam relações amorosas, de amizade ou familiares, um número
razoável de pessoas se encontra num relacionamento ou num modelo de
relacionamento, que já se esgotou. Relacionamentos que lhes fazem mal, sufocam,
inibem, não promovem troca ou crescimento. E apesar desta consciência não
conseguem se ver sem ele. Esta dependência é mais comum do que se imagina e
acontece entre mães/pais e filhos, entre casais e até entre
amigos.
A
dependência emocional é a percepção que o indivíduo tem de não conseguir lidar
consigo e com a vida de forma adequada sem a presença ou o auxílio de outra
pessoa. Como se sente à mercê dos cuidados de alguém, que geralmente é uma
pessoa próxima, familiar, cônjuge, namorada, etc, se submete a decisões,
atitudes ou até abusos e humilhações pelo medo de romper o vínculo com quem
consegue fazê-lo "funcionar" adequadamente como indivíduo.
São pessoas
que não tomam decisões facilmente, mesmo as decisões mais simples, sem se
assegurarem de conselhos e aprovação. Não agem com independência e podem não se
tornar competentes ou ter sucesso em suas atividades, pelo medo que têm da
pessoa da qual dependem perceber que podem atuar sozinhos no mundo, rompendo
assim o vínculo que existe.
Quando o
vínculo se rompe, o dependente busca desesperadamente qualquer outro
relacionamento que lhe forneça o cuidado de que necessita, ficando em segundo
plano o afeto e estabelecendo assim relacionamentos desequilibrados ou
distorcidos.
Existem
relatos que indicam que geralmente esse desequilíbrio surge após os 20 anos de
idade e é considerado por algumas áreas do conhecimento como um transtorno de
personalidade.
Se há um
dependente há também um co-dependente, a pessoa responsável pela manutenção da
"nutrição" do dependente emocional.
O
co-dependente geralmente se caracteriza por ser uma pessoa permissiva por não
estimular ou ajudar o dependente a andar pelas próprias pernas.
O
co-dependente pode se caracterizar também por criar desculpas para justificar a
prática deste comportamento que reconhece como "cuidar dos outros". Sente que
isso o faz responsável pelo bem-estar de outra pessoa se tornando então
supervalorizado por ser o "apoio necessário" nesta situação. Tornam-se
"vítimas" de um estilo de vida, chamando a atenção sobre si. Sejam quais forem
as característica, essas pessoas se colocam mais a disposição do outro e seus
problemas, negando suas próprias necessidades ou as colocando em segundo plano,
porque pensam estar ajudando esse alguém. Raramente percebem que são
co-dependentes.
Muitas vezes
não percebem que conduzir a vida de um outro pode ser uma violência, uma invasão
ao seu estado psíquico e acabar por não permitir seu crescimento.

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