Ao nascer, somos
totalmente dependentes, tanto fisicamente quanto emocionalmente e é através das
nossas vivências, experiências e aprendizados que iremos evoluir e nos
desenvolver gradualmente, buscando nossa independência emocional. Quando nosso
processo de crescimento emocional não acontece da forma adequada, lá na nossa
infância, o resultado é que a pessoa sente um vazio, uma necessidade de atenção, de que algo ou alguém
dê a ela a sensação de segurança e tranqüilidade.
Assim, a dependência,
seja ela emocional, química, por comida, jogos e outros vícios, é resultado de
um vazio interno que a pessoa sente e que ela tenta preencher externamente. Ou
seja, o objeto da dependência serve como uma muleta ou uma cadeira de rodas com
o qual a pessoa acredita piamente que necessita para se sentir completa.
Então, na dependência
afetiva, o outro nada mais é que um meio para que a pessoa preencha suas
necessidades de atenção, carinho e segurança, que não foram satisfeitas durante
seu desenvolvimento inicial.
As pessoas
dependentes afetivamente possuem baixa autoestima, se sentem sozinhas e tem
medo da solidão, são inseguras, não confiam em si nem nos outros, são
excessivamente carentes, ciumentas e possessivas, exigindo total atenção do
próximo. São aquelas pessoas que precisam de aprovação o tempo todo, que não vê
defeitos no objeto amado ou, quando vê, acredita que irá mudar. São as pessoas
que imitam os amigos, se vestem igual a eles e que se irritam quando outras
pessoas entram na relação.
Esses comportamentos acabam por destruir não só a pessoa
dependente, como também todas as suas relações, pois chega a ser sufocante lidar com as crises de ciúme
ou com os dramas que a pessoa dependente faz, como jogos emocionais envolvendo
culpa, condenação, ameaças e até mesmo tomar todo o tempo da outra pessoa.
É o chamado “fazer o inferno”.
Acontece que nem
sempre a pessoa está consciente de que a forma como ela está
agindo é na verdade um grande problema, uma dependência emocional desgastante e
nem sempre ela entende que não encontramos a segurança fora, em
relacionamentos, pois ela tem que vir de dentro, da autoestima, da
autovalorização, da autoconfiança e do autoconhecimento.
O dependente afetivo
não consegue terminar os relacionamentos, por mais que ele sofra e por mais
que ele saiba que faz os outros sofrerem, pois acreditam que são incapazes de sair desse estado de
simbiose doentia. É importante lembrar que a DEPENDÊNCIA AFETIVA É UMA VIA DE MÃO
DUPLA, ninguém é dependente sozinho já que a própria palavra
significa subordinação, sujeição, e estar subordinado necessita de algo/alguém
que complete a relação. Assim, seja você o autor ou a vítima, a dependência
está ai e pode ser em diferentes graus (leve, moderado, forte, excessiva).
Para superar a dependência afetiva, é preciso ir em busca da raiz do
problema, encontrar o trauma
que originou esses sentimentos e a terapia é o melhor caminho. Ela precisa ser contínua, constante e persistente
e é nesse processo terapêutico que a pessoa irá se autoconhecer, refletir e
tomar consciência de si mesma, de suas responsabilidades e de seus potenciais.
Todos nós temos
inúmeros potenciais que precisam ser estimulados, trabalhados. É preciso
investir e acreditar na recuperação, na própria evolução. É possível, sim, ser
feliz, encontrar o equilíbrio e vivenciar relacionamentos saudáveis.
Além da terapia, você que sofre de dependência emocional,
pode procurar grupos de ajuda, como o MADA e o CODA, pois compartilhar e receber apoio de pessoas que
passam pelos mesmos problema pode ajudar a fortalecer e se manter firme no
tratamento.
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