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segunda-feira, 24 de março de 2025

DEPENDÊNCIA AFETIVA: UMA VIA DE MÃO DUPLA


Ao nascer, somos totalmente dependentes, tanto fisicamente quanto emocionalmente e é através das nossas vivências, experiências e aprendizados que iremos evoluir e nos desenvolver gradualmente, buscando nossa independência emocional. Quando nosso processo de crescimento emocional não acontece da forma adequada, lá na nossa infância, o resultado é que a pessoa sente um vazio, uma necessidade de atenção, de que algo ou alguém dê a ela a sensação de segurança e tranqüilidade.

Assim, a dependência, seja ela emocional, química, por comida, jogos e outros vícios, é resultado de um vazio interno que a pessoa sente e que ela tenta preencher externamente. Ou seja, o objeto da dependência serve como uma muleta ou uma cadeira de rodas com o qual a pessoa acredita piamente que necessita para se sentir completa.

Então, na dependência afetiva, o outro nada mais é que um meio para que a pessoa preencha suas necessidades de atenção, carinho e segurança, que não foram satisfeitas durante seu desenvolvimento inicial.

As pessoas dependentes afetivamente possuem baixa autoestima, se sentem sozinhas e tem medo da solidão, são inseguras, não confiam em si nem nos outros, são excessivamente carentes, ciumentas e possessivas, exigindo total atenção do próximo. São aquelas pessoas que precisam de aprovação o tempo todo, que não vê defeitos no objeto amado ou, quando vê, acredita que irá mudar. São as pessoas que imitam os amigos, se vestem igual a eles e que se irritam quando outras pessoas entram na relação.

Esses comportamentos acabam por destruir não só a pessoa dependente, como também todas as suas relações, pois chega a ser sufocante lidar com as crises de ciúme ou com os dramas que a pessoa dependente faz, como jogos emocionais envolvendo culpa, condenação, ameaças e até mesmo tomar todo o tempo da outra pessoa. É o chamado “fazer o inferno”.
Acontece que nem sempre a pessoa está consciente de que a forma como ela está agindo é na verdade um grande problema, uma dependência emocional desgastante e nem sempre ela entende que não encontramos a segurança fora, em relacionamentos, pois ela tem que vir de dentro, da autoestima, da autovalorização, da autoconfiança e do autoconhecimento.
O dependente afetivo não consegue terminar os relacionamentos, por mais que ele sofra e por mais que ele saiba que faz os outros sofrerem, pois acreditam que são incapazes de sair desse estado de simbiose doentia. É importante lembrar que a DEPENDÊNCIA AFETIVA É UMA VIA DE MÃO DUPLA, ninguém é dependente sozinho já que a própria palavra significa subordinação, sujeição, e estar subordinado necessita de algo/alguém que complete a relação. Assim, seja você o autor ou a vítima, a dependência está ai e pode ser em diferentes graus (leve, moderado, forte, excessiva).
Para superar a dependência afetiva, é preciso ir em busca da raiz do problema, encontrar o trauma que originou esses sentimentos e a terapia é o melhor caminho. Ela precisa ser contínua, constante e persistente e é nesse processo terapêutico que a pessoa irá se autoconhecer, refletir e tomar consciência de si mesma, de suas responsabilidades e de seus potenciais.

Todos nós temos inúmeros potenciais que precisam ser estimulados, trabalhados. É preciso investir e acreditar na recuperação, na própria evolução. É possível, sim, ser feliz, encontrar o equilíbrio e vivenciar relacionamentos saudáveis.

Além da terapia, você que sofre de dependência emocional, pode procurar grupos de ajuda, como o MADA e o CODA, pois compartilhar e receber apoio de pessoas que passam pelos mesmos problema pode ajudar a fortalecer e se manter firme no tratamento.

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