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segunda-feira, 24 de março de 2025

Tema da reunião do dia 21/06/2012 (CoDA) e 22/06/2012 (MADA): CURA DA DOR ORIGINAL E CRIANÇA INTERIOR FERIDA - PARTE 1



TRABALHANDO A DOR ORIGINAL


O trabalho com a dor original consiste em experimentar realmente os sentimentos originais reprimidos. Chamamos isso de processo de descoberta. É a única coisa capaz de nos proporcionar "uma mudança de segunda ordem", a mudança profunda que resolve realmente os sentimentos. Na mudança de primeira ordem, trocamos uma compulsão por outra.
 Na segunda mudança, deixamos de ser compulsivos. Muitos de nós agíamos compulsivamente porque nossa criança interior, solitária e ferida, nunca havia descarregado seu sofrimento original. O que não sabíamos era que precisamos abraçar a solidão da nossa criança de coração partido e a sua dor não resolvida pelos pais perdidos, pela família perdida e pela infância perdida. Temos de abraçar a nossa dor original. Esse é o sofrimento verdadeiro do que fala Carl Jung.
A dor lamentada é a sensação de cura. Ficaremos curados naturalmente se pudermos lamentar nossa perda. A dor original é o acumulo de conflitos não resolvidos, cuja energia cresceu como uma bola de neve através dos anos. Nossa criança interior ferida está congelada porque não consegue realizar seu trabalho de lamentação. Todas as suas emoções estão aprisionadas na vergonha tóxica. O isolamento e o medo de depender de alguém são as duas conseqüências principais da vergonha tóxica. Para curar nossas emoções intoxicadas pela vergonha, temos que sair do esconderijo e confiar em alguém e em nós mesmos.
Para que a criança ferida saia do esconderijo, ela precisa ter certeza de que você vai estar ali para ela. Sua criança ferida precisa também de um aliado que não a envergonhe e que a apoie para testemunhar o abandono, a negligência, o abuso e a confusão. Esses são os primeiros elementos essenciais para o trabalho com a dor original.
Para este papel é aconselhável que se escolha um bom profissional de saúde mental e que haja um estudo da técnica de Terapia mais adequada à ser aplicada. A Técnica de Psicoterapia do Psicodrama aliada, alternadamente, a Terapia Cognitiva costuma dar bons resultados.
Caminhar espiritualmente sozinho é extremamente perigoso! Grande parte do que lhe disseram que era cuidado paterno ou materno era, na verdade, abuso. Se você continuar inclinado a minimizar e/ou racionalizar os modos pelos quais foi envergonhado, ignorado ou usado para satisfazer seus pais, deve agora aceitar o fato de que essas coisas, na verdade, feriram sua alma.
Alguns de nós fomos também vítimas de agressão física, verbal, sexual ou emocional. Antes de mais nada, este trabalho não foi idealizado com o fim de jogar a culpa de nossos problemas passados e atuais nas costas de alguém. Nossos pais fizeram o melhor que sabiam e nos deram o melhor que podiam dar, afinal de contas, também possuíam dentro de si crianças feridas, tentando realizar uma tarefa extremamente difícil.
Somos vítimas de vítimas, pois a doença espiritual é uma doença multigeracional. Um dos vários sentimentos que afloram com o trabalho da dor original é a RAIVA, uma resposta legítima ao ferimento espiritual. Na verdade, você tem de ficar zangado se quiser curar a sua criança ferida. Depois da raiva vem a dor e a tristeza. Se fomos vítimas, devemos lamentar essa traição. Devemos também lamentar o que poderia ter sido - nossos sonhos e aspirações. Devemos lamentar as exigências de desenvolvimento não atendidas.
A dor e a tristeza são quase sempre acompanhadas pelo remorso, espécie de culpa pelo o quê nos aconteceu no passado. É importante lembrar que devemos colocar a responsabilidade desta culpa no lugar certo: AS PESSOAS QUE NOS ABUSARAM.
O adulto é sempre o responsável, enquanto crianças não fomos responsáveis por nós mesmos e pelas coisas que nos aconteceram. Algumas pessoas racionalizam: "Mas eu era uma criança terrível e má, eu mereci e sou culpada por tudo o quê me aconteceu..." Isto não é verdade! Ninguém nasce mau. Podíamos ser "crianças terríveis", mas éramos crianças...e criança precisa sempre de cuidados, proteção e orientação adequados.
Quando lamentamos o abandono da infância, devemos mostrar à criança ferida que vive em nós que ela não podia ter feito nada para mudar as coisas. Sua dor é por tudo que aconteceu à ela, não por causa dela. Os mais profundos sentimentos são os de vergonha e de solidão. Ficamos envergonhados quando nos abandonam. Sentimos que somos maus, como se estivéssemos contaminados, e essa vergonha leva a solidão. Uma vez que a criança interior se sente falha e deficiente, tem de encobrir o verdadeiro eu sob o falso eu. O eu verdadeiro fica sozinho e isolado. Esta última parte dos sentimentos dolorosos é a mais difícil do processo de lamentação. "A única saída é passando por ela". É difícil permanecer ao nível da vergonha e da solidão, mas quando abraçamos esses sentimentos saímos do outro lado. Encontramos o eu que estava escondido. Escondendo-o dos outros nós o escondíamos de nós mesmos.
Abraçando nossa vergonha e nossa solidão, começamos a tocar nosso mais verdadeiro eu. Todos esses sentimentos devem ser sentidos. Isso leva tempo, pois a recuperação dos sentimentos é um processo, não um evento. Porém, a melhora é quase que imediata.
O contato com a criança interior, o fato dela saber que alguém está ali e que não precisa mais ficar sozinha, é cheio de alegria e traz um alívio imediato.
O importante é sentir os sentimentos. Você não pode curar o que não pode sentir! Quando você experimenta o antigo sentimento e fica ao lado da sua criança interior o trabalho de cura ocorre naturalmente. É sempre melhor fazer esse trabalho com um companheiro ou com um grupo. Procure sempre uma pessoa em quem possa confiar e procure falar com ela após fazer este trabalho.
Lembre-se que: Caminhar espiritualmente sozinho é extremamente perigoso! Se você se sentir arrasado, pare imediatamente. Espere que seja integrado o que já fez. Se o sentimento persistir, procure ajuda de um terapeuta especializado no trabalho com a criança interior.
Não é aconselhável compartilhar esse trabalho com um dos pais ou outra pessoa da família, a não que estejam em um programa de recuperação pessoal.
O primeiro passo na recuperação da sua criança interior ferida é um processo chamado coleta de informações.

Continua na prox. semana....

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