INVENTÁRIO DA MINHA
ALMA
Hoje estive pensando muito sobre a questão da dependência
afetiva e percebi que por causa dela a minha vida ficou muito aquém do que
poderia ter sido.
Quando criança eu era muito tímida, hoje sei que o que eu
tinha já naquela época era na verdade orgulho, porque eu simplesmente
tinha pavor de ser considerada errada ou inadequada em qualquer situação em que
eu me encontrasse. Hoje percebo que o meu orgulho é
que na verdade me fez usar a máscara da timidez l, pois para não errar ou não ser
considerada inadequada, me mantinha fora do convívio com as outras pessoas, não
por ser coitadinha ou por ser incompreendida, como na época eu acreditava ser,
mas sim para não ferir o meu ORGULHO!
Quando cresci mais um pouco, chegando à adolescência, eu
comecei a me forçar a conviver em sociedade, mas não porque eu havia me conscientizado
de que tinha que aceitar as pessoas como elas eram ou por qualquer motivo
nobre, o que aconteceu é que se eu continuasse do jeito que eu estava ficaria
excluída, e isso incluía namoros, amizades entre outras coisas, fora a questão
do trabalho, eu precisa tentar conviver em sociedade senão jamais conseguiria um
trabalho. Hoje analisando esta época percebo que o sentimento maior que me fez
forçar o convívio com os outros foi o meu EGOÍSMO e a minha ARROGÂNCIA, porque
eu simplesmente achava que tinha que dar certo, pois eu era uma pessoa
inteligente, com uma visão mais acertada da vida, eu acreditava que a minha
maneira de ser era a mais correta, então porque eles conseguiriam as coisas e
eu não?
Nesta época em que me forcei a me socializar, eu sentia uma
ansiedade desmedida, soava frio, meu coração disparava, ficava vermelha, ou
seja, desenvolvi ai o que se diagnosticou como TAG – Transtorno de ansiedade
generalizada. Este transtorno eu carrego comigo até hoje!
O que eu to querendo dizer a vocês relatando tudo isso é que
se realmente queremos melhorar ou chegar a uma recuperação efetiva, é muito
importante que aprendamos a olhar a base da nossa dependência, sem mascaras,
sem autodefesas, sem desculpas tolas, mas olhar para nossa dependência como ela
realmente teve origem, deixar de lado as questões superficiais e olhar com mais
vagar que sentimentos realmente fizeram com que nos transformássemos em ll pessoas dependentes.
Não podemos mais culpar os pais, culpar os amigos, culpar
nossos amores, os filhos, etc., por algo que no fundo sabemos que é nossa
responsabilidade. Vou dar mais um exemplo, usando a minha própria experiência
de vida com relação à questão amorosa:
Eu sempre fui muito ressentida com os homens, pois meus relacionamentos
nunca davam certos ou porque eles não gostavam de mim o suficiente ou porque eu
não gostava o suficiente deles. Outra magoa que eu carreguei por anos era achar que tinha sido abandonada por Deus, eu
me perguntava: Por que Deus dá tanta sorte no amor para algumas pessoas, e nada
para pessoas como eu?
Era também muito ressentida porque minha família, mais
especificamente a minha mãe (infelizmente a maioria de nós achamos que nossa
mãe é a maior responsável por nosso sofrimento) não pôde me criar com luxo, no
meio de pessoas com uma posição social melhor e com acesso a mais recursos.
Então na verdade eu era ressentida e culpava: os homens, a
minha família e até Deus, pelo meu fracasso amoroso.
Com o tempo e também com muito sofrimento, comecei a me
questionar, eu me perguntava: - Gozado, muitos dos homens que não deram certo
comigo, deram certo com outras mulheres, por que será?
Elas nada tinham de melhor que eu, era pessoas normais,
muitas delas tinham crescido comigo, faziam parte da minha infância e
adolescência, tiveram o mesmo tipo de criação e os mesmos recursos que eu, mas
porque comigo não deu certo?
Analisando mais a fundo esta questão comecei a perceber que o
modo como minha mãe me criou nada tinha a ver com o fracasso dos meus relacionamentos.
Com relação a Deus, essa força criadora, esse poder Superior
a nós, que tinha me dado à vida e me colocado numa família pobre, pois era esta
a visão que eu tinha de Deus, também tinha dado as mesmas oportunidades que eu
tive a outras pessoas, mas porque comigo não deu certo? Percebi que meu
fracasso amoroso nada tinha a ver com proteção divina, ou qualquer outra coisa
que eu pensasse a respeito de Deus!
E os homens? Qual a culpa deles?
Percebi, que da mesma forma que eu às vezes não ficava com
determinada pessoa porque não gostava, eles também não tinham obrigação de
gostar de mim, e olhando mais a fundo entendi, que em muitos momentos menti,
enganei, trapaceei, não tive coragem de falar o que realmente eu sentia, etc., porque
sou falha, então não tinha como eu cobrar deles uma perfeição que eu mesma não
tinha!
Fui levada neste instante a cogitar a ideia de que eu estava
errando em algo, alguma coisa eu estava fazendo para que a minha vida tomasse
aquele rumo, pois não adiantava eu mudar de lugar ou de pessoa, as coisas não
davam certo, e a única coisa que estava comigo onde quer que fosse e com quem
quer que esteja, era eu mesma!
Tive que deixar de lado a minha ARROGÂNCIA, o meu ORGULHO e o
meu EGOÍSMO, e reconhecer que eu era a única responsável pela situação em que
eu me encontrava.
Por isso quero dizer a vocês que procurem se entender,
procurem olhar com mais atenção aos reais sentimentos que estão por trás dos
seus sofrimentos. Tente primeiro entender as suas intenções internas e não
apenas as superficiais, pois como dependentes que somos infelizmente a nossa
visão das coisas já está comprometida.
Paz e serenidade a Todos!
Rose Santos


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