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segunda-feira, 24 de março de 2025

INVENTÁRIO DA MINHA ALMA


INVENTÁRIO DA MINHA ALMA


Hoje estive pensando muito sobre a questão da dependência afetiva e percebi que por causa  dela a minha vida ficou muito aquém do que poderia ter sido.
Quando criança eu era muito tímida, hoje sei que o que eu tinha já naquela época era na verdade orgulho, porque eu simplesmente tinha pavor de ser considerada errada ou inadequada em qualquer situação em que eu me encontrasse. Hoje percebo que o meu orgulho é que na verdade me fez usar a máscara da timidez l, pois para não errar ou não ser considerada inadequada, me mantinha fora do convívio com as outras pessoas, não por ser coitadinha ou por ser incompreendida, como na época eu acreditava ser, mas sim para não ferir o meu ORGULHO!
Quando cresci mais um pouco, chegando à adolescência, eu comecei a me forçar a conviver em sociedade, mas não porque eu havia me conscientizado de que tinha que aceitar as pessoas como elas eram ou por qualquer motivo nobre, o que aconteceu é que se eu continuasse do jeito que eu estava ficaria excluída, e isso incluía namoros, amizades entre outras coisas, fora a questão do trabalho, eu precisa tentar conviver em sociedade senão jamais conseguiria um trabalho. Hoje analisando esta época percebo que o sentimento maior que me fez forçar o convívio com os outros foi o meu EGOÍSMO e a minha ARROGÂNCIA, porque eu simplesmente achava que tinha que dar certo, pois eu era uma pessoa inteligente, com uma visão mais acertada da vida, eu acreditava que a minha maneira de ser era a mais correta, então porque eles conseguiriam as coisas e eu não?
Nesta época em que me forcei a me socializar, eu sentia uma ansiedade desmedida, soava frio, meu coração disparava, ficava vermelha, ou seja, desenvolvi ai o que se diagnosticou como TAG – Transtorno de ansiedade generalizada. Este transtorno eu carrego comigo até hoje!
O que eu to querendo dizer a vocês relatando tudo isso é que se realmente queremos melhorar ou chegar a uma recuperação efetiva, é muito importante que aprendamos a olhar a base da nossa dependência, sem mascaras, sem autodefesas, sem desculpas tolas, mas olhar para nossa dependência como ela realmente teve origem, deixar de lado as questões superficiais e olhar com mais vagar que sentimentos realmente fizeram com que nos  transformássemos em ll pessoas dependentes.
Não podemos mais culpar os pais, culpar os amigos, culpar nossos amores, os filhos, etc., por algo que no fundo sabemos que é nossa responsabilidade. Vou dar mais um exemplo, usando a minha própria experiência de vida com relação à questão amorosa:
Eu sempre fui muito ressentida com os homens, pois meus relacionamentos nunca davam certos ou porque eles não gostavam de mim o suficiente ou porque eu não gostava o suficiente deles. Outra magoa que eu carreguei por anos era  achar que tinha sido abandonada por Deus, eu me perguntava: Por que Deus dá tanta sorte no amor para algumas pessoas, e nada para pessoas como eu?
Era também muito ressentida porque minha família, mais especificamente a minha mãe (infelizmente a maioria de nós achamos que nossa mãe é a maior responsável por nosso sofrimento) não pôde me criar com luxo, no meio de pessoas com uma posição social melhor e com acesso a mais recursos.
Então na verdade eu era ressentida e culpava: os homens, a minha família e até Deus, pelo meu fracasso amoroso.
Com o tempo e também com muito sofrimento, comecei a me questionar, eu me perguntava: - Gozado, muitos dos homens que não deram certo comigo, deram certo com outras mulheres, por que será?
Elas nada tinham de melhor que eu, era pessoas normais, muitas delas tinham crescido comigo, faziam parte da minha infância e adolescência, tiveram o mesmo tipo de criação e os mesmos recursos que eu, mas porque comigo não deu certo?
Analisando mais a fundo esta questão comecei a perceber que o modo como minha mãe me criou nada tinha a ver com o fracasso dos meus relacionamentos.
Com relação a Deus, essa força criadora, esse poder Superior a nós, que tinha me dado à vida e me colocado numa família pobre, pois era esta a visão que eu tinha de Deus, também tinha dado as mesmas oportunidades que eu tive a outras pessoas, mas porque comigo não deu certo? Percebi que meu fracasso amoroso nada tinha a ver com proteção divina, ou qualquer outra coisa que eu pensasse a respeito de Deus!
E os homens? Qual a culpa deles?
Percebi, que da mesma forma que eu às vezes não ficava com determinada pessoa porque não gostava, eles também não tinham obrigação de gostar de mim, e olhando mais a fundo entendi, que em muitos momentos menti, enganei, trapaceei, não tive coragem de falar o que realmente eu sentia, etc., porque sou falha, então não tinha como eu cobrar deles uma perfeição que eu mesma não tinha!
Fui levada neste instante a cogitar a ideia de que eu estava errando em algo, alguma coisa eu estava fazendo para que a minha vida tomasse aquele rumo, pois não adiantava eu mudar de lugar ou de pessoa, as coisas não davam certo, e a única coisa que estava comigo onde quer que fosse e com quem quer que esteja, era eu mesma!
Tive que deixar de lado a minha ARROGÂNCIA, o meu ORGULHO e o meu EGOÍSMO, e reconhecer que eu era a única responsável pela situação em que eu me encontrava.
Por isso quero dizer a vocês que procurem se entender, procurem olhar com mais atenção aos reais sentimentos que estão por trás dos seus sofrimentos. Tente primeiro entender as suas intenções internas e não apenas as superficiais, pois como dependentes que somos infelizmente a nossa visão das coisas já está comprometida. 
Paz e serenidade a Todos!

Rose Santos









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