Os atos e as atitudes que tomamos no presente estão
intimamente ligados a desejos, aspirações, sentimentos e emoções antecedentes.
Nossas ações não são efetivadas sem razão anteriores. Toda
atuação de hoje é influenciada por crenças, preconceitos, valores éticos,
convenções sociais, visto que é por detrás da cortina do teatro da vida íntima
que estão às verdadeiras razões do nosso jeito de agir e de pensar.
Todos nós passamos por situações constrangedoras e
estonteantes, e, por não sabermos lidar com elas e por desconhecer sua origem,
quase sempre acionamos mecanismos de defesa do ego.
Esses mecanismos podem ser definidos como um conjunto de
emoções e tendências comportamentais que ocorrem automaticamente quando
percebemos, de forma consciente ou não, uma ameaça psíquica, e queremos nos
proteger dessa amarga realidade.
Os mecanismos de defesa estão ligados de certo modo ás
funções adaptativas do ego o são “molas” que amenizam os golpes psicológicos
que sofremos na alma. Por isso, não devem ser vistas simplesmente como
sinônimos de patologia emocional, porquanto seu uso instintivo será considerado
adequado ou não, desde que sejam utilizados durante o “tempo necessário” para equilibrar
ou recompor a saúde integral.
A perpetuidade de qualquer medida defensiva do ego diante de
um fato ou acontecimento poderá ser definida como doença ou desequilíbrio de uma
função psíquica.
Em muitas ocasiões, as “dores da alma” tendem a dar
continuidade a um ou outro mecanismo de defesa, levando-nos à formação de uma
grande e insuportável coleção de máscaras e, sem dúvida, a uma diversidade de “eus
desconexos”.
François de La Rochefoucauld, escritor francês, dizia que: “ficaríamos
envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse as reais intenções
que as motivaram”.
É verdade que desconhecemos inúmeros meandros da nossa
conduta atual e precariamente suspeitamos de que forma certas ocorrências
desconhecidas especificam nosso modo de agir.
Muitas “ações caritativas” se fossem avaliadas profundamente,
talvez trouxessem à tona da nossa consciência revelações surpreendentes e
inesperadas. Poderíamos observar que a raiz intencional que as motivou foi:
compensação do complexo de inferioridade, desatenção seletiva diante de situação
aflitiva, entorpecimento de sensação afetiva, introjeção de onipotência, deslocamento
de vantagens políticas, negação de interesses sociais, projeção de imunidade e
regalias, repressão de sentimentos não admitidos.
Não estamos aqui fazendo menção dos verdadeiros “atos de
caridade”, nem induzindo ninguém a fazer julgamento precipitado sobre o
comportamento alheio, mas nos estamos sim convidando a fazer uma reflexão sobre
as raízes do nosso comportamento.
Ainda que não admitamos, somos bons atores gregos,
representando, de forma pensada ou não, nossos papéis com as máscaras
apropriadas.
Hoje, quem tem um mínimo de nitidez interior entende que os
fenômenos psicológicos que se processam na psique humana devem ser entendidos e
assimilados e os seus conteúdos (esquecidos e bloqueados) trazidos à luz da
consciência.
Por fim, gostaríamos de deixar claro que, do que foi aqui
exposto, não tivemos a intenção de nos impor culpas. As culpas, anteriormente
denominadas “pecados”, não nos devem induzir à autocondenação, e sim à autoanálise,
reparação e transformação íntima; jamais à censura, mortificação e castigo.
PAZ E SERENIDADE!



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