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segunda-feira, 24 de março de 2025

AMOR NÃO É DEPENDÊNCIA



A dependência emocional é a necessidade afetiva extrema que uma pessoa sente por outra. Não está baseada na sucessão destas relações, mas na personalidade, ou seja, a pessoa é de caráter dependente. Quando está sozinha, sua patologia provoca que procure outra pessoa que a compreenda e a ame.

Entre as pessoas dependentes emocionalmente, existem os casos patológicos e os casos padrões. Estas duas categorias devem-se a que a dependência emocional é um processo contínuo que começa com a normalidade e termina com a patologia, isto é, existem diferentes níveis de gravidade.

Nas dependências mais leves, tipo padrão, encontraremos somente algumas destas características. Aqui estão classificadas, entre outras, determinadas pessoas que foram vítimas de violência doméstica.

Nas relações interpessoais, há uma tendência à exclusividade, por exemplo, nas relações de amizade. A pessoa fica mais à vontade falando com um único amigo do que a um grupo numeroso, no qual não tem uma resposta afetiva necessária. Esta exclusividade, dentro das relações de casal, dá a entender que, mais do que carinho, existe uma necessidade de companhia e implica uma certa falta de maturidade pessoal. Uma pessoa se torna o centro existencial do indivíduo e todas as outras realidades ficam de fora.

Estes indivíduos precisam de uma comunicação constante com a pessoa da qual dependem. Isto se traduz em contínuas ligações telefônicas, mensagens no correio de voz, apego excessivo, desejo de compartilhar com ela qualquer atividade.

Existe muita ilusão no princípio de um relacionamento ou quando se conhece uma pessoa interessante. Esta ilusão tem muito de auto-engano. Também existe a subordinação nas relações de casal, como um meio para preservar a relação de qualquer maneira. Os relacionamentos dos dependentes emocionais são marcadamente desequilibrados. Um dos componentes só se preocupa por seu bem-estar, por fazer o que seu parceiro desejar, de magnificar e louvar tudo o que faz.

O narcisismo destas pessoas é a contrapartida da baixa auto-estima dos dependentes emocionais, por isso se produz esta idealização e este fascínio.

As relações de casal atenuam sua necessidade, mas continuam sem ser felizes e nem esperam sê-lo porque sua existência é uma sucessão de desenganos e não têm o componente essencial do bem-estar: o amor próprio ordenado, o querer bem a si mesmos. Vivem em um contínuo pânico diante da possível ruptura e existe a possibilidade de padecer transtornos mentais, se isso acontecer.

Esta tormenta emocional diminui milagrosamente quando aparece outra pessoa que cubra as necessidades afetivas do dependente e é muito freqüente que a ruptura se produza quando já se tem outra relação. Quando isso acontece, o centro da existência passa a ser a nova pessoa. A diferença com pessoas normais é que estas costumam guardar um período que poderíamos chamar de “luto”, após uma separação amorosa, período no qual não se tem muito ânimo de procurar outra pessoa porque a anterior ainda ocupa um lugar privilegiado.

Os dependentes dominantes se caracterizam por ter relações de dominação em lugar de submissão, sem por isso deixar de sentir dependência de seu parceiro/a. Na dependência emocional normal que as relações de casal se caracterizavam pela submissão e pela idealização. No caso da dependência dominante, simultaneamente com a necessidade afetiva, surge um sentimento de hostilidade, que pode ser interpretada como uma espécie de vingança pelas carências sofridas, que certas pessoas com uma auto-estima mais sólida podem se permitir o luxo de mostrar. Normalmente são os homens, e isto tem possívelmente implicações tanto biológicas como culturais, porque eles sofrem pressões sociais para adotar posições de força e competitividade, além de certa facilidade para o desligamento afetivo das demais pessoas.

Atrás desta posição de superioridade, esconde-se uma profunda necessidade e controle do outro, que querem sempre consigo, de modo exclusivo. Nestes tipos de dependências são muito comuns os ciúmes, inclusive os patológicos, que escondem a necessidade e o sentimento de posse que sentem pelo parceiro/a.

Com esta atitude de domínio, obtêm o mesmo que deseja o dependente emocional padrão, ou seja, a presença contínua do companheiro/a e, além disso, satisfazem outra tendência mais hostil e dominante, saciando assim seu ego e rancor pelas pessoas.

Um procedimento que se pode utilizar para confirmar a presença da dependência emocional é propor um tempo de separação ou de ausência de contato com o parceiro/a. Se a hostilidade, dominação e desprezo são puros, agüentarão perfeitamente este período, porque realmente não têm sentimentos positivos para com a outra pessoa; se existir dependência, a chamarão com qualquer desculpa pela necessidade imperiosa que têm.

Mas, com certeza, este fenômeno se revela e também chega a ser reconhecido pelo que o padece quando acontecer uma separação. Como é fácil imaginar, as separações são freqüentes neste tipo de relações possessivas porque a outra pessoa se cansa das críticas, da hostilidade, do desprezo, de sempre fazer o que o dominante quer ou de observar como nega, tanto para si mesmo como para os outros, qualquer sentimento positivo para o parceiro/a. Quando acontece a separação, o dependente dominante pode reagir exatamente igual a qualquer outro dependente emocional: entra em uma profunda depressão, suplica a sua/seu ex-companheira/o que volte, promete que vai mudar e reconhece como se comportou mal.

Um amor sadio tem suas áreas de autonomia.


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